Workshop setorial de adaptação climática e soluções baseadas na natureza reúne cidades do Fórum para avançar em projetos financiáveis
O encontro, realizado em 17 de julho com a participação do GCoM, CAF e C40, abordou como transformar diagnósticos climáticos em projetos de adaptação urbana com capacidade real de implementação e financiamento
O Pacto Global de Prefeitos/as pelo Clima e Energia na América Latina (GCoM) realizou, em 17 de julho, o Workshop Setorial de Adaptação Climática e Soluções Baseadas na Natureza, no âmbito do processo de assistência técnica dirigido às cidades do Fórum de Prefeitos/as.
O encontro reuniu representantes das cidades do Fórum, especialistas do GCoM e representantes de instituições parceiras para discutir como transformar diagnósticos climáticos em projetos financiáveis. A agenda contou com a participação de Guillermo Piñones, assessor em financiamento climático que coordena a Assistência Técnica do GCoM América Latina; Alejo Ramírez, executivo principal da CAF e coordenador geral da Rede de BiodiverCidades; e Bárbara Barros, chefe global de adaptação climática da C40.
A atividade faz parte do processo de assistência técnica iniciado pelo GCoM em abril, orientado a fortalecer as capacidades das cidades na preparação de projetos climáticos. Segundo Guillermo Piñones, a agenda responde a prioridades definidas pelas próprias lideranças locais do Fórum: “Este processo, iniciado em abril deste ano, avançou para identificar áreas de projeto. O que nos convoca hoje são os setores de adaptação climática, gestão de resíduos sólidos e mobilidade sustentável, que foram as prioridades definidas pelos prefeitos e prefeitas do Fórum para desenvolver projetos.”
CAF e a agenda de BiodiverCidades
Em sua intervenção, Alejo Ramírez apresentou a experiência da CAF no apoio a governos subnacionais e destacou a ampliação da agenda verde do banco e o papel das cidades na proteção da biodiversidade, na resiliência urbana e no desenvolvimento sustentável. Também apresentou a Rede de BiodiverCidades, iniciativa que conecta municípios da região e promove uma visão integrada entre natureza, planejamento urbano e qualidade de vida.
“A CAF se comprometeu a que pelo menos 50% de suas operações tenham componentes verdes. A Rede de BiodiverCidades busca não apenas ser o banco dos subnacionais, mas levar o cliente a caminhos de maior impacto no cuidado da vida, com incentivos vinculados a taxas e cooperação técnica”, afirmou Ramírez.
Sua participação reforçou a importância de conectar a preparação técnica dos projetos a oportunidades reais de financiamento. Para os municípios, isso implica avançar em propostas com objetivos claros, benefícios demonstráveis, governança definida e capacidade de gerar impacto ambiental, social e econômico.
Projetos como casos de negócio
Bárbara Barros, da C40, abordou os elementos que podem tornar um projeto de adaptação mais atrativo para financiadores e investidores. Além de uma boa solução técnica, destacou, os municípios devem demonstrar demanda política, viabilidade financeira, articulação institucional e potencial de retorno social, econômico ou ambiental.
“Precisamos que os projetos garantam apoio interno. Muitas vezes os técnicos chegam com projetos que não estão integrados a atores-chave, como o prefeito ou o diretor financeiro. O apoio político e a integração com as equipes de finanças são essenciais para viabilizar o financiamento”, afirmou Barros.
A especialista compartilhou casos internacionais de infraestrutura resiliente — como túneis de drenagem com usos múltiplos e parques inundáveis que combinam proteção contra eventos extremos com recreação, serviços urbanos e geração de valor local — e introduziu modelos de financiamento como parcerias público-privadas, blended finance, captura de mais-valia urbana e pagamentos por serviços ambientais. A ideia central: os projetos climáticos devem ser apresentados não apenas como respostas ambientais, mas como investimentos capazes de gerar benefícios concretos para a cidade e sua população.
Governança, financiamento e impacto territorial
O encontro também reforçou que a adaptação climática exige coordenação entre diferentes níveis de governo, bancos de desenvolvimento, redes de cidades e parceiros técnicos. Para acessar financiamento, os municípios precisam traduzir seus diagnósticos em propostas consistentes — com dados, indicadores, análise de riscos, governança definida e uma narrativa clara sobre os benefícios do projeto.
Além de reduzir vulnerabilidades climáticas, os projetos de adaptação podem contribuir para a geração de emprego, a valorização de espaços públicos, a melhoria dos serviços urbanos e a proteção de comunidades expostas a inundações, calor extremo e outros impactos das mudanças climáticas.
Próximos passos
A assistência técnica do GCoM continuará acompanhando as cidades do Fórum na estruturação de projetos climáticos em seus três setores prioritários: adaptação, gestão de resíduos sólidos e mobilidade sustentável. Nas próximas etapas, o processo aprofundará a identificação de soluções, modelos de implementação, fontes de financiamento e mecanismos de geração de valor local, com o objetivo de que as cidades construam propostas mais robustas, capazes de dialogar com financiadores e responder às necessidades reais de seus territórios.






