DIA DA AMAZÔNIA: AÇÃO CLIMÁTICA NO MAIS IMPORTANTE BIOMA BRASILEIRO COMEÇA NAS CIDADES
Apoiados pelo programa Mutirão Brasil, municípios amazônicos constroem planos climáticos e projetos concretos em parceria inédita entre governos locais, Governo Federal e redes nacionais e internacionais
No dia 5 de setembro o Brasil celebra o Dia da Amazônia, data comemorativa para conscientizar o mundo da importância de preservar a maior floresta tropical do planeta. E a proteção da Amazônia vai muito além do combate ao desmatamento que, em 2026 alcançou o menor nível de alertas de desmatamento da série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A proteção da Amazônia também passa pelas cidades da região onde vivem milhões de pessoas e onde decisões sobre infraestrutura, serviços públicos, resíduos, mobilidade e desenvolvimento econômico ajudam a definir como os territórios vão responder às mudanças climáticas.
Desde a COP30 no ano passado em Belém, o Programa Mutirão Brasil, iniciativa conjunta das redes globais de cidades C40 Cities e Pacto Global de Prefeitos e Prefeitas pelo Clima e a Energia (GCoM), apoia 11 cidades amazônicas em diferentes frentes de ação climática, combinando planejamento, fortalecimento da gestão pública e no desenvolvimento de soluções concretas.
Entre as cidades apoiadas na região amazônica estão Altamira, Barcarena, Boa Vista, Cáceres, Parintins e Rio Branco, que estão fortalecendo suas governanças climáticas e desenvolvendo Planos Locais de Ação Climática (PLACs). Os planos ajudam os municípios a entender os riscos que enfrentam, identificar suas principais fontes de emissões e definir prioridades para reduzir esses impactos e preparar as cidades para um clima em transformação.
Outras cidades amazônicas avançam em projetos específicos dentro do programa. Rio Branco e Benevides trabalham na estruturação de iniciativas de gestão de resíduos orgânicos, com foco na redução de emissões de metano e na economia circular. Belém e Porto Velho avançam em projetos de mobilidade urbana sustentável, incluindo melhorias no transporte público e eletrificação de frotas.
Hélinah Cardoso, Líder de Engajamento do Programa Mutirão C40 x GCoM, afirma:
“O resultado é uma atuação que vai do planejamento à ação concreta: entender os desafios de cada cidade, definir prioridades e criar condições para que soluções possam ser desenvolvidas e implementadas de acordo com a realidade de cada território amazônico. Esse trabalho está sendo desenvolvido em diversas mãos: parceiros como a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos e o ICLEI – governos locais para a sustentabilidade, faz com que o processo seja mais célere e efetivo.”
Legado da COP30, a iniciativa faz parte do legado de cooperação construído em torno da COP30 e mostra como esse esforço pode continuar depois da conferência: aproximando governos nacionais e locais, conhecimento técnico e necessidades dos territórios para transformar compromissos climáticos em ações reais nas cidades brasileiras. O programa trabalha em estreita articulação com parceiros do Governo Federal, incluindo o Ministério das Cidades, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a Presidência da COP30 e o Conselho da Federação.
Belén Jiménez, Gerente Sênior de Engajamento do GCoM, afirma:
“A Amazônia está no centro da agenda climática global, mas sua transformação também depende da capacidade das cidades de planejar e agir. É nos municípios que as decisões sobre infraestrutura, serviços públicos e desenvolvimento ganham forma e afetam diretamente a vida das pessoas.”
Quando a tecnologia ajuda a cidade a planejar melhor
Uma das ferramentas que está ajudando a acelerar esse processo é a Bússola Climática, plataforma baseada em Inteligência Artificial desenvolvida pela C40 Cities e pelo GCoM que combina dados climáticos, informações sobre emissões e riscos locais e inteligência artificial para ajudar municípios a identificar e priorizar ações climáticas. A iniciativa foi desenvolvida com 50 municípios brasileiros e também conectou uma base pública de informações climáticas para os municípios do país. Cada município pode usar os dados disponíveis na plataforma para entender seus principais riscos e oportunidades e encontrar ações que façam sentido para sua realidade.
Rio Branco, no Acre, é um exemplo de como essa abordagem está sendo aplicada na Amazônia. A Bússola Climática está apoiando a estruturação do plano climático municipal, ajudando a cidade a priorizar ações a partir dos riscos e oportunidades identificados no território. A ferramenta também mostra como a inovação tecnológica pode contribuir para democratizar o acesso a dados climáticos. Desenvolvida com uma metodologia adaptada à realidade brasileira, a plataforma cruza perfis de emissões, riscos e vulnerabilidades com ações de mitigação e adaptação para apoiar decisões locais.
Para Sandino Lamarca, Gerente Sênior de Dados da C40 e GCoM, o avanço da ação climática nas cidades passa também por ampliar o acesso a dados e ferramentas que permitam aos governos tomar decisões mais informadas:
“Com o fácil acesso à informações, dados e novas tecnologias, as cidades podem transformar a complexidade dos desafios climáticos em decisões mais claras sobre onde e como agir. A Bússola Climática é parte desse esforço: ajudar os municípios a entender seus riscos, identificar oportunidades e priorizar ações de acordo com sua própria realidade. O objetivo é que o planejamento climático deixe de ser apenas um diagnóstico e se torne uma ferramenta para orientar decisões e transformar políticas públicas.”
Sobre Mutirão Brasil:
O Programa Mutirão Brasil é uma iniciativa estratégica da C40 Cities e do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM), que busca acelerar a implementação da ação climática em cidades brasileiras por meio da cooperação entre governos locais, governo nacional e parceiros internacionais.
Lançado no contexto da liderança climática do Brasil e da presidência da COP30, o programa transforma a ambição climática em resultados concretos, fortalecendo as condições necessárias para que cidades desenvolvam e avancem projetos de alto impacto. A iniciativa apoia +50 municípios e estados brasileiros no desenvolvimento de 20 projetos prontos para financiamento nas áreas de mobilidade urbana sustentável e gestão de resíduos, o planejamento climático na Amazônia, ao mesmo tempo em que mobiliza apoio transversal em finanças climáticas, acesso a dados, diplomacia climática, orçamento climático, e ação climática inclusiva.
O Programa Mutirão Brasil demonstra como parcerias multiníveis entre os governos nacionais e os locais aceleram a implementação da ação climática onde ela mais importa: nas cidades, posicionando o Brasil como uma referência global de governança climática multinível e de implementação em escala até 2027.
A Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP) atua como parceira facilitadora do programa, fortalecendo a articulação com lideranças municipais em todo o país. O Mutirão Brasil é implementado em colaboração com uma ampla coalizão de parceiros técnicos, incluindo WRI Brasil, ICCT, Instituto 17 + Instituto Pólis (i17), Cities Climate Finance Leadership Alliance / Climate Policy Initiative (CCFLA / CPI), Urban Climate Change Research Network (UCCRN), ICLEI América do Sul, Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBC) e Associação Brasileira de Municípios (ABM).
O programa também conta com coordenação estratégica com o Ministério das Cidades (MCID), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a Presidência da COP30, o Conselho da Federação, a Casa Civil e outros ministérios do Governo Federal, fortalecendo a cooperação entre os diferentes níveis de governo para acelerar a ação climática no território.






