Pacto de Prefeitos reúne coordenadores nacionais para apresentar nova etapa da aliança na América Latina
Encontro regional definiu as prioridades para 2026, com ênfase na implementação da ação climática, no financiamento de projetos urbanos, no reporte de avanços e no fortalecimento da cooperação.
O Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia (GCoM) reuniu, em 16 de junho, seus coordenadores nacionais e organizações parceiras para apresentar a nova etapa da aliança na América Latina e alinhar suas principais frentes de trabalho para 2026.
Após uma década dedicada à mobilização das cidades e ao fortalecimento do planejamento climático, o GCoM avança para um modelo mais voltado à implementação. A prioridade é ajudar os municípios a transformar seus compromissos em projetos, políticas públicas e resultados concretos para a população.
“Nosso objetivo é aprofundar o apoio à implementação da ação climática, sem nos limitarmos ao planejamento ou à mobilização de novas cidades”, explicou Rebecca Borges, da Secretaria Regional do GCoM.
Durante a reunião, a Secretaria apresentou sua estrutura reforçada, com capacidades especializadas em dados, assistência institucional, comunicação e financiamento climático. O encontro também reafirmou o papel dos coordenadores nacionais como elo entre a estratégia regional e as necessidades das cidades em cada país.
Dos planos aos projetos
O acesso ao financiamento permanece como um dos principais desafios para os governos locais. Como parte da resposta, o GCoM desenvolve uma iniciativa-piloto com os 16 municípios integrantes do Fórum de Prefeitos e Prefeitas na América Latina.
As cidades recebem assistência técnica para preparar projetos em três setores prioritários: adaptação, mobilidade sustentável e gestão de resíduos. O processo inclui a identificação dos desafios, a formulação de soluções, a elaboração de notas conceituais e o desenvolvimento de estratégias de financiamento.
A meta é consolidar uma carteira regional de projetos prioritários com melhores condições para apresentação a fundos climáticos, instituições financeiras e outros possíveis parceiros.
“A ideia é contar com um repositório colaborativo de fundos e projetos climáticos urbanos que sirva de orientação para os municípios, de acordo com suas capacidades e com o tipo de iniciativa que estão priorizando”, afirmou Guillermo Piñones, especialista em financiamento climático do GCoM.
Dados para demonstrar avanços
O reporte de informações climáticas é outro componente central dessa nova etapa. A Secretaria Regional continuará apoiando as cidades no uso da plataforma CDP-ICLEI e na aplicação do Marco Comum de Reporte do GCoM.
Os dados permitem acompanhar os avanços, identificar necessidades de apoio e demonstrar os benefícios da ação climática. Também são fundamentais para estruturar projetos, mobilizar recursos e comunicar o custo da inação diante dos eventos extremos.
A agenda regional prevê capacitações sobre reporte, energia, mitigação e adaptação, definidas a partir das necessidades identificadas pelos municípios e pelas organizações nacionais.
Liderança e articulação regional
A reunião também destacou o fortalecimento do Fórum de Prefeitos e Prefeitas como instância política do GCoM na América Latina. Claudio Castro, prefeito de Renca, no Chile, assumiu a presidência do Fórum, que reúne 16 governos locais de oito países.
A intendenta de General Pico, na Argentina, Fernanda Alonso, foi recentemente incorporada ao grupo. Durante o segundo semestre, a aliança buscará ampliar a presença das cidades latino-americanas em espaços internacionais como a London Climate Action Week, a Semana pelo Clima de Medellín e as conferências sobre biodiversidade, mudança climática e desertificação.
Para Rodrigo Corradi, do ICLEI, a capacidade de atuação do GCoM depende da articulação entre as organizações integrantes da aliança.
“O GCoM é uma coalizão que representa todos nós. Precisamos somar nossas capacidades para estarmos cada vez mais próximos da implementação e dos nossos prefeitos e prefeitas”, afirmou.
Comunicar resultados
A comunicação coordenada será outra prioridade do novo ciclo. Entre 24 e 31 de outubro, o GCoM LATAM prevê desenvolver uma campanha regional relacionada ao Dia Internacional contra as Mudanças Climáticas e ao Dia Mundial das Cidades.
A iniciativa buscará mostrar resultados concretos, como redução de emissões, economia de água, geração de energia renovável e aumento da resiliência urbana. Também destacará a participação das comunidades e os benefícios da ação climática para a vida cotidiana.
Ao iniciar esse novo momento, o GCoM reafirma uma prioridade comum para a América Latina: aproximar a assistência técnica, dados, financiamento e cooperação dos municípios para transformar a ambição climática em resultados visíveis nos territórios.






