GCoM América Latina fortalece o debate sobre resiliência urbana na 9ª Escola de Resiliência da Mercocidades
Realizado em Juiz de Fora, Brasil, o encontro reuniu representantes de cinco países para fortalecer capacidades locais e avançar na construção de cidades cuidadoras, seguras e resilientes.
O financiamento da adaptação e a construção de soluções climáticas alinhadas às realidades locais foram os eixos da participação do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e a Energia na América Latina (GCoM) na 9ª Escola de Resiliência da Mercocidades, realizada de 9 a 11 de setembro de 2026, em Juiz de Fora, Brasil.
Organizada pelo Programa de Cooperação Sul-Sul da Mercocidades e pela Rede de Cidades Resilientes (R-Cities), com o apoio do GCoM e de outras organizações parceiras, a iniciativa reuniu 27 representantes de governos locais da Argentina, do Brasil, do México, do Paraguai e do Uruguai.
Sob o tema “Infraestruturas para construir cidades cuidadoras, seguras e resilientes. Integrando a perspectiva de gênero no planejamento e na gestão das cidades”, o encontro combinou debates, capacitação técnica e experiências em campo para fortalecer a capacidade de resposta dos municípios aos riscos climáticos e urbanos.
Soluções locais para a construção da resiliência
Letícia Sibinelli, assessora institucional e de dados do GCoM América Latina, representou o Pacto na mesa temática “Infraestruturas para construir cidades cuidadoras, seguras e resilientes”. O painel contou também com Javier Garduño, diretor para a América Latina da R-Cities, e Rodrigo Perpétuo, secretário executivo do ICLEI América do Sul. A moderação ficou a cargo de Aline da Rocha Junqueira, secretária de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do município de Juiz de Fora.
O debate abordou os desafios enfrentados pelas cidades para financiar projetos de adaptação e resiliência, assim como a necessidade de estruturar propostas viáveis, alinhadas às prioridades de cada território e com capacidade de implementação.
Em sua apresentação, Sibinelli destacou a diversidade de experiências locais e o papel do GCoM no apoio ao planejamento, à implementação e ao monitoramento da ação climática. Também apresentou uma agenda de atividades de capacitação sobre riscos climáticos, financiamento e acesso à energia.
“Cada cidade parte de uma realidade diferente. Por isso, avançar na adaptação exige compreender os riscos e as necessidades locais, traduzir esse diagnóstico em projetos viáveis e conectar o planejamento a oportunidades de financiamento. No GCoM, buscamos acompanhar os governos locais nesse processo e facilitar a troca de experiências para que possam colocar seus planos em prática”, afirmou Sibinelli.
A mesa também colocou em destaque a relação entre infraestrutura, cuidado e vulnerabilidade. As intervenções ressaltaram a importância de articular soluções em diferentes escalas, da quadra e do bairro à cidade e à metrópole, e de incorporar perspectivas de gênero e idade ao planejamento urbano. Essa abordagem permite responder aos impactos desiguais dos riscos climáticos sobre mulheres, meninas, meninos, pessoas idosas e outros grupos em situação de vulnerabilidade.
Da capacitação técnica aos projetos nos territórios
A programação incluiu uma capacitação técnica conduzida por Javier Garduño, com o apoio de Luisa Aucan, do ICLEI América do Sul, e de Letícia Sibinelli. Durante a atividade, as cidades analisaram seus próprios projetos sob a perspectiva da resiliência e identificaram impactos, tensões e oportunidades de melhoria para sua implementação.
Uma visita técnica ao Morro do Imperador permitiu conhecer a dimensão do desastre ocorrido em fevereiro em Juiz de Fora e as ações desenvolvidas pelo governo municipal para responder aos seus efeitos e fortalecer a resiliência urbana. A experiência conectou os conteúdos da capacitação aos desafios concretos da gestão local.
Na próxima etapa, os participantes deverão apresentar um trabalho final. Um comitê de seleção avaliará as propostas e escolherá até três casos que receberão apoio para seu fortalecimento por meio de assistência técnica e/ou intercâmbio de experiências com cidades da América Latina.




