Medalhas 2026 reconhecem avanços de cidades latino-americanas na trajetória climática do Pacto
Ao todo, 59 cidades de dez países receberam 112 novas medalhas por seus avanços em mitigação, adaptação, energia e conformidade com os compromissos do GCoM
O Pacto Global de Prefeitos/as pelo Clima e Energia na América Latina (GCoM) apresenta os resultados das Medalhas 2026, sistema de reconhecimento que dá visibilidade à evolução das cidades signatárias em sua trajetória climática.
As medalhas reconhecem o progresso dos governos locais nas etapas de reporte, planejamento e implementação de seus compromissos nos três pilares do GCoM: mitigação, adaptação e energia. Para receber esse reconhecimento, as cidades devem informar seus avanços na plataforma CDP-ICLEI, seguindo o Marco Comum de Reporte do GCoM.
Em 2025, cidades da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Peru e Uruguai obtiveram, em conjunto, 112 novas medalhas. Considerando os pilares principais, os reconhecimentos incluíram 28 medalhas de mitigação, 62 de adaptação e 20 de energia. Além disso, duas cidades alcançaram a Medalha de Conformidade.
Ao todo, 59 cidades latino-americanas foram reconhecidas neste ciclo, entre capitais, cidades intermediárias e pequenas. Estes municípios vêm incorporando a ação climática em suas agendas locais de desenvolvimento, resiliência e sustentabilidade.
Os resultados de 2026 se somam a uma série recente de avanços na região, mantendo a América Latina em trajetória de progresso. Brasil e Argentina ficaram empatados em primeiro lugar em número de novas medalhas, seguidos por Chile e México.
O que as medalhas reconhecem
O sistema de Medalhas do GCoM permite acompanhar o avanço de cada cidade a partir de etapas concretas. No pilar de mitigação, são reconhecidas ações relacionadas ao inventário de gases de efeito estufa, à definição de metas e à elaboração de planos para reduzir ou evitar emissões.
No pilar de adaptação, os reconhecimentos refletem o progresso dos municípios na avaliação de riscos e vulnerabilidades climáticas, na definição de objetivos de adaptação e na construção de planos para enfrentar os impactos da mudança climática.
Já o pilar de energia considera os esforços vinculados à avaliação, às metas e aos planos de acesso à energia limpa, segura, sustentável e acessível, bem como à redução da pobreza energética.
As cidades passam a obter a Medalha de Conformidade quando completam os 2 pilares principais: mitigação, adaptação Em 2026, as cidades que alcançaram a Medalha de Conformidade foram Itapipoca, no Brasil, e Cuenca, no Equador.
Nota-se que partir do ano que vem, será exigida os três pilares completos (adaptação, mitigação e energia) para alcançar a medalha de conformidade. Ou seja, a partir do próximo ciclo, a inclusão do pilar de energia passará a ser obrigatória para que uma cidade seja considerada conforme.
Para Elise Abbes, assessora de Participação em Iniciativas do GCoM, as medalhas cumprem um papel importante ao reconhecer o esforço técnico e político das cidades. “As Medalhas 2025 não são apenas um reconhecimento simbólico. São uma forma de dar visibilidade ao trabalho que os governos locais vêm realizando para medir, planejar e avançar em seus compromissos climáticos com mais transparência e consistência”, destacou.
Uma região em movimento
Os resultados de 2026 mostram uma região com avanços importantes na agenda climática local. A adaptação foi o pilar com maior número de reconhecimentos, com 62 novas medalhas, o que evidencia a prioridade dada pelas cidades latino-americanas à gestão de riscos, à resiliência urbana e à proteção de suas comunidades diante dos impactos da mudança climática.
Brasil e Argentina concentraram o maior número de novas medalhas, com 27 reconhecimentos cada um. O Chile obteve 21 novas medalhas, seguido pelo México, com 13. O Equador registrou 8; a Colômbia, 5; Costa Rica e Guatemala, 3 cada uma; e Peru e Uruguai, 2 cada um.
Entre as cidades do Fórum de Prefeitos/as que conquistaram novas medalhas em 2025 estão Salvador, que obteve a medalha de Energia — Avaliação de Acesso à Energia e Pobreza; Renca, com a medalha de Energia — Plano de Acesso à Energia e Pobreza; Ambato, que conquistou a medalha de Mitigação — Inventário; Guadalajara, com a medalha de Energia — Metas de Acesso à Energia e Pobreza; Oreamuno, com a medalha de Energia — Avaliação de Acesso à Energia e Pobreza; e Manta, também com a medalha de Energia — Avaliação de Acesso à Energia e Pobreza.
O balanço também destacou novas cidades signatárias que aderiram ao Pacto no ano anterior e já obtiveram reconhecimentos, como Aracruz e Crato, no Brasil, e Otavalo, no Equador.
Para Rebecca Borges, coordenadora GCoM LATAM, os resultados refletem o fortalecimento das capacidades locais na região. “Cada medalha representa um passo concreto na trajetória climática de uma cidade. Quando olhamos para o conjunto da América Latina, vemos governos locais fortalecendo suas capacidades, melhorando seus reportes e construindo uma base cada vez mais sólida para passar do planejamento à implementação”, afirmou.
Além de reconhecer os avanços, as medalhas também ajudam a organizar dados, identificar lacunas e orientar próximos passos. O relatório permite que as cidades ganhem visibilidade, acompanhem sua evolução e se preparem melhor para estruturar projetos climáticos.
Para Guillermo Piñones, especialista em financiamento climático do GCoM Latam, a qualidade da informação reportada é decisiva para aproximar as cidades de novas oportunidades. “O financiamento climático exige evidência, consistência e clareza. Quando uma cidade avança em inventários, avaliações de risco, metas e planos, também fortalece sua capacidade de estruturar projetos mais sólidos e de demonstrar o impacto que busca gerar”, afirmou.
Argentina
A Argentina obteve 27 novas medalhas em 2026, distribuídas em 9 de mitigação, 17 de adaptação e 1 de energia. Ao todo, 7 cidades argentinas foram reconhecidas: Córdoba, Villa de Merlo, Ceres, San José de la Esquina, Cañada Rosquín, El Trébol e San Salvador de Jujuy.
O país conta com 247 cidades comprometidas com o GCoM e, em registros totais (incluindo anos anteriores), já acumula 589 medalhas, das quais 285 correspondem à mitigação, 246 à adaptação, 5 à energia e 53 à conformidade.
Brasil
O Brasil também obteve 27 novas medalhas em 2026, distribuídas em 4 de mitigação, 17 de adaptação, 5 de energia e 1 de conformidade. O país registrou 18 cidades premiadas: Salvador, Belo Horizonte, Recife, Campinas, Santo André, Cuiabá, Florianópolis, Rio Branco, Capivari, Tangará da Serra, Cáceres, Goiânia, Contagem, Cametá, Itapipoca, Itabirito, Aracruz e Crato.
Entre as novas medalhas, destaque para Salvador, parte do Fórum de Prefeitos/as do Pacto na América Latina, que conquistou o reconhecimento de Energia — Avaliação de Acesso à Energia e Pobreza.
O Brasil conta com 175 cidades comprometidas com o GCoM. Em registros totais (incluindo anos anteriores), o país possui 231 medalhas, com 74 em mitigação, 124 em adaptação, 23 em energia e 10 em conformidade.
Chile
O Chile alcançou 21 novas medalhas em 2026, com 5 de mitigação, 10 de adaptação e 6 de energia. As 9 cidades premiadas foram Temuco, Cerro Navia, Maipú, San Bernardo, Algarrobo, Punta Arenas, El Quisco, Lautaro e Renca.
Renca, membro do Fórum de Prefeitos/as do GCoM na América Latina,conquistou a medalha de Energia — Plano de Acesso à Energia e Pobreza.
O país conta com 32 cidades comprometidas com o GCoM e, em registros totais (incluindo anos anteriores), acumula 112 medalhas, distribuídas em 30 de mitigação, 57 de adaptação, 20 de energia e 5 de conformidade.
Colômbia
A Colômbia obteve 5 novas medalhas em 2026, distribuídas em 2 de mitigação, 2 de adaptação e 1 de energia. As 3 cidades premiadas foram Girardota, Montería e Barranquilla.
O país conta com 56 cidades comprometidas com o GCoM e, em registros totais (incluindo anos anteriores), possui 93 medalhas, com 31 em mitigação, 49 em adaptação, 8 em energia e 5 em conformidade.
Costa Rica
A Costa Rica obteve 3 novas medalhas em 2026, com 1 de mitigação, 1 de adaptação e 1 de energia. As cidades premiadas foram Oreamuno e Alajuela.
Oreamuno, membro do Fórum de Prefeitos/as do GCoM na América Latina, conquistou a medalha de Energia — Avaliação de Acesso à Energia e Pobreza.
O país conta com 28 cidades comprometidas com o GCoM e, em registros totais (incluindo anos anteriores), possui 101 medalhas, distribuídas em 37 de mitigação, 46 de adaptação, 11 de energia e 7 de conformidade.
Equador
O Equador registrou 8 novas medalhas em 2026, distribuídas em 3 de mitigação, 4 de adaptação e 1 de energia. Além disso, Cuenca alcançou a Medalha de Conformidade. As cidades reconhecidas foram Cuenca, Sucre, Manta, Ambato, Montecristi, Salinas e Otavalo.
Ambato conquistou a medalha de Mitigação — Inventário, e Manta conquistou a medalha de Energia — Avaliação de Acesso à Energia e Pobreza. Ambas são cidades membros do Fórum de Prefeitos/as do GCoM na América Latina.
O país conta com 20 cidades comprometidas com o GCoM e, em registros totais (incluindo anos anteriores), alcançou 48 medalhas, com 15 em mitigação, 27 em adaptação, 3 em energia e 3 em conformidade.
México
O México obteve 13 novas medalhas em 2026, com 3 de mitigação, 8 de adaptação e 2 de energia. As 7 cidades premiadas foram Chihuahua, San Luis Potosí, Guadalajara, Delicias, Ahome, Torreón e Salamanca.
Guadalajara, membro do Fórum de Prefeitos/as do GCoM na América Latina, conquistou a medalha de Energia — Metas de Acesso à Energia e Pobreza.
O país conta com 119 cidades comprometidas com o GCoM e, em registros totais ( incluindo anos anteriores), alcançou 145 medalhas, distribuídas em 43 de mitigação, 79 de adaptação, 15 de energia e 8 de conformidade.
Peru
O Peru obteve 2 novas medalhas em 2026, distribuídas em 1 de adaptação e 1 de energia. As cidades premiadas foram Lima e Chiclayo.
O país conta com 53 cidades comprometidas com o GCoM e, em registros totais (incluindo anos anteriores), alcançou 71 medalhas, com 17 em mitigação, 47 em adaptação, 4 em energia e 3 em conformidade.
Uruguai
O Uruguai obteve 2 novas medalhas em 2025, distribuídas em 1 de mitigação e 1 de energia. As cidades premiadas foram Montevideo e Canelones. O resultado incorpora o país ao balanço regional de avanços reconhecidos pelo sistema de Medalhas do GCoM.
Guatemala
A Guatemala obteve 3 novas medalhas em 2025, distribuídas em 2 de adaptação e 1 de energia. As cidades premiadas foram La Democracia e Escuintla. Sua incorporação ao balanço regional reforça a ampliação da trajetória climática de cidades centro-americanas dentro do Pacto.
Reconhecer avanços para acelerar a implementação
As Medalhas 2025 mostram que as cidades latino-americanas avançam em diferentes etapas de sua trajetória climática, desde a construção de inventários e avaliações de risco até a definição de metas, planos e ações vinculadas ao acesso à energia.
Ao reconhecer esses avanços, o Pacto busca dar maior visibilidade ao trabalho técnico realizado pelos municípios, fortalecer a cooperação entre cidades e orientar próximos passos para que os compromissos climáticos se transformem em ações concretas.
Com esses resultados, o Pacto Global de Prefeitos/as pelo Clima e Energia reafirma o protagonismo dos governos locais latino-americanos na resposta à crise climática e na construção de territórios mais resilientes, sustentáveis e inclusivos.






