Cáceres levou experiência com ferramentas climáticas à Conferência Innovate4Cities
Secretário municipal de Planejamento participou da agenda internacional em Nairóbi, com destaque para o uso de dados, inteligência artificial e soluções digitais para apoiar a ação climática local.
Cáceres, no Mato Grosso, foi representada na Conferência Innovate4Cities 2026, realizada no complexo da ONU-Habitat, em Nairóbi, no Quênia. A agenda reuniu lideranças urbanas, especialistas, redes de cidades e organizações internacionais para debater como ciência, inovação, dados e tecnologia podem acelerar a ação climática nos territórios.
A participação do município foi conduzida por Leandro Martins Barbosa, secretário municipal de Planejamento de Cáceres, que levou à conferência a experiência da cidade no uso de ferramentas digitais para identificar riscos climáticos, mapear emissões e orientar ações de alto impacto. A agenda também contou com a presença de Rebecca Borges, representando o GCoM Latam, reforçando a atuação regional do Pacto no apoio a cidades latino-americanas em processos de inovação, planejamento climático e implementação de políticas públicas locais.
A presença de Cáceres na Innovate4Cities marcou mais um passo em uma trajetória iniciada a partir da inserção do município na agenda climática internacional. Após a participação da prefeita Eliene Liberato em uma Conferência do Clima da ONU, a cidade passou a fortalecer sua atuação em sustentabilidade e mudanças climáticas, aderindo ao Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia e avançando na elaboração de seu primeiro Inventário de Gases de Efeito Estufa.
Esse processo abriu caminho para a participação de Cáceres em novas iniciativas nacionais e internacionais, incluindo projetos apoiados pelo Governo Federal, pelo Ministério do Meio Ambiente, pelo C40 e por organismos parceiros. Atualmente, o município integra o Programa Cidades Verdes Resilientes, iniciativa que tem apoiado cidades brasileiras na estruturação de ações climáticas de alto impacto.
“Cáceres entrou nessa agenda a partir de uma decisão política de olhar para o futuro da cidade. A adesão ao Pacto Global de Prefeitos e a construção do nosso primeiro inventário de gases de efeito estufa abriram portas para novos projetos, parcerias e ferramentas que hoje ajudam o município a planejar melhor suas ações de adaptação e mitigação”, destacou Leandro Martins Barbosa.
Cáceres e a Bússola Climática
Um dos principais destaques da participação de Cáceres foi a experiência com a Bússola Climática, ferramenta desenvolvida no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes para apoiar municípios brasileiros na leitura de seus perfis climáticos e na priorização de ações concretas.
A plataforma reúne informações sobre riscos climáticos, emissões de gases de efeito estufa e ações climáticas de alto impacto, oferecendo às cidades uma base mais clara para planejar, implementar e monitorar suas agendas de mitigação e adaptação.
Cáceres participou do processo de desenvolvimento da ferramenta, contribuindo com a perspectiva de uma cidade que busca incorporar inteligência climática ao planejamento urbano e territorial. Durante a conferência, o município compartilhou sua experiência na sessão dedicada ao uso de dados para o planejamento urbano sensível ao clima, ao lado de parceiros que atuam no desenvolvimento da Bússola Climática.
A experiência demonstrou como os municípios podem deixar de atuar apenas de forma reativa diante dos impactos climáticos e passar a utilizar dados para antecipar riscos, orientar decisões e estruturar ações mais eficazes.
Inteligência artificial para enfrentar o calor extremo
Outro eixo da agenda foi a participação nos debates sobre uma nova ferramenta voltada ao enfrentamento do calor extremo nas cidades. A iniciativa, desenvolvida em parceria com C40 e IBM, utiliza inteligência artificial e dados territoriais para identificar áreas mais críticas de exposição ao calor urbano e apoiar a formulação de soluções adaptadas a cada contexto local.
A proposta dialoga diretamente com um dos principais desafios urbanos da atualidade: o aumento das temperaturas nas cidades e seus impactos sobre saúde, mobilidade, infraestrutura, espaços públicos e qualidade de vida.
Ao combinar dados climáticos, inteligência artificial e planejamento urbano, a ferramenta permite visualizar onde os impactos do calor são mais intensos e quais intervenções podem contribuir para reduzir as vulnerabilidades. Entre as possibilidades apresentadas estiveram soluções baseadas na natureza, ampliação de áreas verdes, sombreamento urbano, requalificação de espaços públicos e outras medidas de adaptação.
A presença de Cáceres nesse debate reforçou o posicionamento do município como parte de uma agenda de inovação climática que busca transformar tecnologia em soluções práticas para a gestão pública local.
IA, inovação e realidade urbana
A agenda também incluiu a participação de Leandro Martins no painel dedicado à aplicação prática da inteligência artificial em cidades e no clima. A sessão discutiu como ferramentas de IA podem apoiar governos locais, mas também quais são os desafios reais enfrentados pelas cidades para transformar inovação em soluções úteis para a gestão pública.
Entre os temas debatidos estiveram a infraestrutura de dados disponível nos municípios, as necessidades concretas dos gestores locais e a distância que ainda existe entre o que os inovadores desenvolvem e o que as cidades conseguem implementar no território.
No debate, Cáceres contribuiu com a perspectiva municipal sobre como a tecnologia precisa responder às dinâmicas reais da administração pública local, considerando capacidades técnicas, limitações institucionais, prioridades climáticas e necessidades da população.
Do diagnóstico à implementação
A experiência de Cáceres reforçou uma mensagem central para a agenda do Pacto na América Latina: a ação climática local depende de capacidade técnica, dados acessíveis e ferramentas que ajudem os municípios a transformar informação em ação.
Ao participar de discussões sobre a Bússola Climática, inteligência artificial e novas soluções para o enfrentamento do calor extremo, Cáceres mostrou como as cidades podem contribuir não apenas como usuárias de ferramentas, mas também como parceiras no seu desenvolvimento.
A agenda na Innovate4Cities ampliou a visibilidade dessa experiência e fortaleceu o papel dos governos locais brasileiros na construção de soluções climáticas inovadoras, inclusivas e conectadas às necessidades reais dos territórios.






